Josué 20:1-9
Cidades-refúgio
(Números 35,6–34; Deuteronómio 4,41–43; 19,1–13)
O Senhor ordenou a Josué: «Diz aos israelitas que escolham cidades para refúgio, conforme eu mandei por meio de Moisés. Se alguém matar involuntariamente uma pessoa, poderá refugiar-se numa dessas cidades, para se proteger daqueles a quem compete exercer vingança. Para isso, ao chegar à porta da cidade onde se vai refugiar, explicará aos chefes dessa cidade o que aconteceu. Eles deverão acolher essa pessoa e indicar-lhe um lugar para habitar. Se o parente da vítima encarregado de se vingar for lá persegui-lo, os chefes da cidade não entregarão o refugiado, pois matou alguém sem querer e não por mal. Mas o refugiado deverá ficar naquela cidade até comparecer diante do povo reunido, para ser julgado, depois da morte do sumo sacerdote em exercício naquela altura. Só então poderá voltar para a sua casa e cidade donde tinha fugido.» Escolheram então as seguintes cidades-refúgio: Cadés, na Galileia, na montanha de Neftali; Siquém, na montanha de Efraim; Quiriat-Arbá, ou seja, Hebron, na montanha de Judá. Para lá do Jordão, a oriente de Jericó, escolheram, no planalto desértico, a cidade de Becer da tribo de Rúben. Na região de Guilead, escolheram Ramot da tribo de Gad e, nas terras de Basã, escolheram Golã, que pertencia à tribo de Manassés. Foram estas as cidades-refúgio escolhidas para os israelitas e estrangeiros que vivessem no meio deles. Lá se poderia refugiar todo aquele que matasse alguém involuntariamente. Assim não seria morto por aqueles a quem competisse exercer vingança, antes de comparecer diante do povo em assembleia.
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Refúgio
As cidades de refúgio eram lugares onde alguém podia correr e encontrar proteção depois de um erro grave — não para fugir à verdade, mas para ter um julgamento justo e não ser destruído pela pressa ou pela vingança. Eram espaços onde a justiça e a misericórdia caminhavam juntas, acessíveis a qualquer pessoa, até mesmo ao estrangeiro. Num tempo em que tudo podia escalar rapidamente, estas cidades lembravam que Deus não age por impulso: Ele é justo, mas também cheio de graça.
Se trouxermos isto para hoje, percebemos o quão atual é esta ideia. Vivemos num mundo rápido a julgar, a cancelar e a apontar o dedo. Mas Deus não funciona assim. Ele cria espaço para ouvir, para restaurar, para recomeçar. E é aqui que entra Jesus. Em Cristo, encontramos o verdadeiro refúgio — não um lugar físico, mas uma relação onde há perdão, segurança e nova oportunidade. Não importa o passado, nem o erro: há sempre um caminho aberto até Ele.
E há algo ainda mais desafiante nisto tudo: nós também somos chamados a refletir este “refúgio” na vida dos outros. Será que as pessoas encontram em nós julgamento… ou acolhimento? Pressa em condenar… ou espaço para recomeçar? Se Deus nos deu graça, então somos chamados a viver essa mesma graça com quem está à nossa volta.
Desafio: Hoje, tenta ser “refúgio” para alguém — ouve sem julgar, acolhe sem apontar o dedo e mostra, nas tuas atitudes, um pouco da graça que Deus já te deu.
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