Juízes 20:1-17
Israel prepara-se para a guerra
O povo de Israel, desde Dan, ao norte, até Bercheba, no sul, bem como a terra de Guilead, a oriente, responderam ao apelo. Reuniram-se todos em Mispá, na presença do Senhor. Os chefes das tribos de Israel estavam presentes, nesta reunião do povo de Deus, onde havia quatrocentos mil soldados de infantaria. Entretanto o povo de Benjamim soube que os israelitas estavam todos reunidos em Mispá.
Os israelitas procuraram indagar como se tinha passado o crime. O levita, cuja mulher fora assassinada, esclareceu: «A minha mulher e eu passámos em Guibeá, no território de Benjamim, para ali pernoitar. Os homens da cidade queriam atacar-me e cercaram a casa de noite, com o propósito de me matar; como não conseguiram, violaram a minha mulher e ela morreu. Tomei o corpo dela, cortei-o em bocados e enviei-os a cada uma das doze tribos de Israel. Aquele povo cometeu um crime terrível e vergonhoso contra nós. Como israelitas, discutam o assunto e tomem uma decisão.»
O povo chegou a um consenso e declarou: «Nenhum de nós volta para a sua tenda ou para a sua casa! Eis o que vamos fazer: Tiraremos à sorte e escolheremos os que devem atacar Guibeá. Um décimo de todos os homens de Israel cuidará da alimentação do exército e os restantes irão castigar Guibeá, pela ação vergonhosa que cometeram contra Israel.» Assim todos os israelitas decidiram por unanimidade atacar a cidade. As tribos de Israel enviaram mensageiros por todo o território de Benjamim, dizendo: «Que crime é este que cometeram? Entreguem-nos esses homens perversos de Guibeá, para que matemos e limpemos de Israel esse crime.»
Porém os benjaminitas não quiseram saber do pedido das outras tribos. E de todas as cidades de Benjamim, juntaram-se em Guibeá para combater contra Israel. Nesse dia, convocaram vinte e seis mil soldados, armados de espada, das cidades da tribo de Benjamim. Além desses, os moradores de Guibeá reuniram setecentos homens escolhidos, que eram canhotos. Mas todos eram extremamente hábeis com a fisga, capazes de atingir um fio de cabelo sem errar a pontaria. Por seu lado, as outras tribos de Israel, reuniram quatrocentos mil soldados, bem treinados no uso de armas de guerra.
A BÍBLIA para todos, Tradução Interconfessional © Sociedade Bíblica de Portugal, 1993, 2009.
Comentário:
Primeiro, olha para dentro
A história de Israel e Gibeá é difícil de ler. O que aconteceu foi tão grave que os israelitas decidiram reagir com guerra. E quando os benjamitas escolheram proteger os homens de Gibeá, o conflito tornou-se ainda maior.
É difícil para nós, hoje, compreender este tipo de violência. Mas há uma pergunta nesta história que continua muito atual: o que fazemos quando vemos o mal?
Os israelitas perceberam que aquilo que tinha acontecido não podia simplesmente ser ignorado. E isso é importante. Mas também falharam numa coisa: antes de combaterem o mal à sua volta, precisavam de olhar para o mal que existia dentro deles.
E aqui a mensagem torna-se muito pessoal.
Quantas vezes somos rápidos a apontar o erro dos outros, mas demoramos a reconhecer aquilo que precisa de mudar em nós? É fácil indignarmo-nos com a injustiça, a mentira, a violência ou o egoísmo dos outros. Mais difícil é deixar Deus mostrar-nos onde essas mesmas atitudes podem estar presentes no nosso coração.
Jesus muda tudo.
Ele ensinou-nos a olhar primeiro para nós próprios e, através da sua morte e ressurreição, abriu-nos o caminho para o perdão e para uma vida nova.
Não precisamos de viver presos ao medo da condenação. Em Jesus, somos perdoados e libertos para enfrentar o mal que existe dentro de nós — não para ficarmos esmagados pela culpa, mas para sermos transformados.
Para pensar: Antes de tentares mudar o mundo à tua volta, deixa Deus transformar aquilo que está dentro de ti.
Desafio: Hoje, pergunta a Deus com sinceridade: “Senhor, há alguma coisa em mim que preciso de reconhecer e mudar?” Depois, não fujas da resposta. Dá-Lhe espaço para trabalhar em ti.
Curiosidade: A história de Juízes mostra repetidamente o que acontece quando cada pessoa faz “o que acha certo”. A grande questão não é apenas “O que está errado com os outros?”, mas também “Quem está a orientar a minha vida?”
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