3 de agosto, 2ª. feira

Escrito em 02/08/2026
União Bíblica


Juízes 21:1-25

Esposas para a tribo de Benjamim

Quando os israelitas se reuniram novamente em Mispá, fizeram este voto solene ao Senhor: «Não permitiremos que nenhum benjaminita se case com as nossas filhas.» O povo de Israel dirigiu-se depois a Betel, e ficou ali, diante do Senhor, até à noite. Lamentaram-se amargamente, em altos gritos: «Senhor, Deus de Israel, por que é que isto aconteceu? Por que está a tribo de Benjamim a desaparecer de Israel?» Cedo, no dia seguinte, bastante cedo, o povo edificou ali um altar, onde ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão. Então perguntaram uns aos outros: «Haverá algum grupo dentre as tribos de Israel que não assistiu à reunião, na presença do Senhor, em Mispá?» De facto, eles tinham feito um voto solene de que quem não fosse a Mispá, seria condenado à morte. O povo de Israel teve pena dos seus irmãos benjaminitas, e disseram: «Hoje Israel perdeu uma das suas tribos. Que faremos, para que os jovens de Benjamim, que sobreviveram, arranjem esposas? Pois nós prometemos solenemente ao Senhor que lhes não daremos nenhuma das nossas filhas.» Quando perguntaram se havia algum grupo das tribos de Israel que não tinha assistido à reunião em Mispá, descobriram que ninguém de Jabés, em Guilead, ali tinha ido.

Ao fazerem a chamada do povo, nenhum homem de Jabés se apresentou. Por isso, a assembleia enviou doze mil dos melhores soldados com as seguintes ordens: «Vão matar a gente de Jabés, incluindo as mulheres e as crianças. Matem todas as pessoas do sexo masculino, e as mulheres que não sejam solteiras.» Entre os habitantes de Jabés encontraram quatrocentas jovens solteiras, que trouxeram ao acampamento em Silo, que fica na terra de Canaã. Então a assembleia enviou uma mensagem aos benjaminitas que estavam no rochedo de Rimon, com uma proposta de paz. Os benjaminitas aceitaram e os israelitas deram-lhes as jovens de Jabés, poupadas ao morticínio. Mas elas não eram suficientes.

O povo teve pena dos benjaminitas, porque o Senhor permitira a rutura nas relações entre as tribos de Israel. Então os chefes da assembleia disseram: «Não há mais mulheres na tribo de Benjamim. Que faremos, para encontrar esposas para os homens que sobreviveram? Israel não pode perder uma das suas doze tribos. Temos de encontrar uma solução, para que a tribo de Benjamim sobreviva, mas não podemos dar-lhes as nossas filhas.»

Então pensaram: «Vem aí a festa anual do Senhor, em Silo.» Silo fica a norte de Betel, a sul de Lebona e a oriente da estrada entre Betel e Siquém. Disseram pois aos benjaminitas: «Vão e escondam-se nas vinhas. Quando as jovens de Silo aparecerem para dançar durante a festa, saiam das vinhas. Cada qual agarre numa delas para sua esposa e leve-a consigo para o território de Benjamim. Se os pais ou irmãos vierem protestar, dir-lhes-emos: “Deixem que eles fiquem com elas, pois não pudemos tomar mulheres suficientes para cada um deles na batalha. E, como não tiveram responsabilidade pessoal em dá-las, não são culpados de quebrar o voto.”»

Os benjaminitas assim fizeram. Cada qual escolheu uma esposa, dentre as jovens que saíram para dançar em Silo, e levou-a consigo. Então voltaram para o seu território, reconstruíram as cidades e moraram ali. Entretanto os restantes israelitas tinham regressado, cada qual para a sua tribo e família, para o que era seu. Nesse tempo, não havia rei em Israel. Cada qual fazia o que bem lhe parecia.

 

A BÍBLIA para todos, Tradução Interconfessional © Sociedade Bíblica de Portugal, 1993, 2009.

 

Comentário:

 

Quando cada um faz o que quer

O último capítulo de Juízes é um dos mais difíceis da Bíblia. Depois da guerra civil contra a tribo de Benjamim, Israel percebe que está prestes a perder uma das suas doze tribos. O problema? Tinham feito um juramento precipitado e agora tentavam resolver uma situação complicada com soluções ainda mais complicadas. Em vez de procurarem verdadeiramente a vontade de Deus, vão improvisando respostas que acabam por provocar ainda mais sofrimento.

Este capítulo mostra-nos um povo dividido, ferido e sem direção espiritual. A preocupação em preservar a tribo de Benjamim era legítima, mas os métodos escolhidos revelam como o coração humano pode tomar decisões erradas quando se afasta de Deus. A Bíblia relata estes acontecimentos, mas não os aprova. Pelo contrário, termina com uma frase que resume todo o livro de Juízes: "Naquele tempo não havia rei em Israel; cada um fazia o que bem lhe parecia."

Esta é uma realidade que continua atual. Vivemos numa sociedade onde muitas vezes cada pessoa decide o que é certo apenas com base na sua opinião, nos seus sentimentos ou naquilo que lhe parece melhor. Mas quando Deus deixa de ser a referência, facilmente confundimos liberdade com fazer tudo o que nos apetece. O resultado é desordem, divisão e sofrimento.

A verdadeira liberdade não está em viver sem regras, mas em seguir Aquele que sabe o que é melhor para nós. Quando Deus reina no nosso coração, as nossas decisões deixam de ser guiadas pelo impulso e passam a ser guiadas pela sabedoria, pelo amor e pela justiça.

Desafio: Antes de tomares uma decisão importante esta semana, faz uma pausa e pergunta: "Estou a fazer isto porque me parece certo... ou porque é aquilo que Deus deseja para mim?"



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