25 de setembro, 6ª. Feira

Escrito em 24/09/2026
União Bíblica


Jeremias 38:24-39:18

Sedecias pede conselho a Jeremias

24Sedecias replicou: «Não deixes que ninguém saiba desta conversa e a tua vida não correrá perigo. 25Se os meus oficiais souberem que estive contigo, quererão saber do que falámos e prometerão que não te matarão, se confessares tudo. 26Diz-lhes apenas que me estavas a pedir que te não enviasse de novo para a prisão, pois podias morrer lá.»

27Em seguida, os oficiais acercaram-se de Jeremias e interrogaram-no. Jeremias repetiu as palavras que o rei lhe tinha sugerido. Então eles deixaram-no, porque ninguém ouvira a conversa. 28Mas mantiveram-no no pátio do palácio da guarda, até ao dia em que Jerusalém foi conquistada.

A queda de Jerusalém

No décimo mês do nono ano do reinado de Sedecias, rei de Judá, o rei Nabucodonosor da Babilónia veio com o seu exército e atacou Jerusalém. No nono dia do quarto mês, do décimo primeiro ano do reinado de Sedecias, os babilónios abriram uma brecha nos muros da cidade. Então os generais do rei da Babilónia reuniram-se junto à Porta do Meio. Entre eles encontrava-se Nergal Sarécer, Samegar-Nebo, Sar-Sequim, chefe da sua corte, e um outro Nergal Sarécer, e os restantes oficiais do rei da Babilónia.

Quando o rei Sedecias e os seus soldados viram o que estava a acontecer, procuraram fugir da cidade, durante a noite. Saíram pelo pomar real, passaram a porta que ligava os dois muros e escaparam em direção ao vale do Jordão. Mas o exército babilónio foi-lhes no encalço e apanhou Sedecias, na planície que fica perto de Jericó. Em seguida, conduziram-no ao rei Nabucodonosor, que se encontrava na cidade de Ribla, no território de Hamat, e ali, Nabucodonosor pronunciou a sentença contra ele. Ali mesmo, em Ribla, mandou que os filhos de Sedecias fossem mortos, na presença do próprio pai, e executou igualmente os principais chefes de Judá. Em seguida, mandou tirar os olhos a Sedecias e prendeu-o com correntes, para ser levado para a Babilónia.

Entretanto os babilónios puseram fogo ao palácio real e às casas de habitação do povo e deitaram abaixo os muros de Jerusalém. Finalmente Nebuzaradan, comandante da guarda, levou o povo, que saíra da cidade, cativo para a Babilónia, juntamente com os que tinham desertado e se lhe tinham entregue antes e todos os que tinham sobrevivido. Porém poupou alguns dos habitantes mais pobres de Judá, que não possuíam terrenos, e entregou-lhes vinhas e campos.

Jeremias é posto em liberdade

Porém o rei Nabucodonosor ordenou a Nebuzaradan, comandante da sua guarda, que desse a seguinte ordem: «Vão à procura de Jeremias e cuidem bem dele. Não lhe façam mal; antes, concedam-lhe tudo o que ele pedir.» Então Nebuzaradan, juntamente com os generais Nebuchazeban e Nergal-Sarécer, e outros oficiais do rei da Babilónia, levaram Jeremias do pátio do templo e puseram-no ao cuidado de Godolias, filho de Aicam, neto de Chafan, que devia zelar para que ele voltasse para sua casa em segurança. E assim Jeremias foi viver no meio do seu povo.

Esperança para Ébed-Mélec

Enquanto Jeremias se encontrava ainda encarcerado no pátio do palácio da guarda, o Senhor disse-lhe: «Vai comunicar a Ébed-Mélec, o etíope, que o Senhor todo-poderoso, o Deus de Israel, lhe manda dizer o seguinte: “Tal como anteriormente anunciei, vou trazer sobre esta cidade a desgraça e não o bem-estar. Quando isso acontecer, tu estarás presente para testemunhar. Porém eu, o Senhor, hei de proteger-te e não te entregarei nas mãos daqueles de quem tens medo. Farei com que tu escapes à morte. Salvarás a tua vida, porque confiaste em mim. Palavra do Senhor!”»

A BÍBLIA para todos, Tradução Interconfessional © Sociedade Bíblica de Portugal, 1993, 2009.

Fiel, mesmo quando custa

Quando era adolescente e li Jeremias pela primeira vez, fiquei mesmo marcado pela sua história. Já tinha ouvido falar dele como o “profeta chorão” — e, ao ler o livro, percebi porquê. Jeremias passou grande parte da sua vida a lamentar o que estava a acontecer consigo e com o seu povo.

Mas há algo que me impressiona ainda mais: ele não desistiu.

Durante anos, Jeremias falou em nome de Deus, mesmo quando ninguém queria ouvi-lo. Foi rejeitado, perseguido, preso e até torturado. Se olhássemos apenas para os resultados, talvez disséssemos: “Que fracasso.” Afinal, ele pregou durante tanto tempo e quase ninguém mudou.

Mas Deus não mede a nossa fidelidade pelos aplausos, pelos resultados ou pelo reconhecimento dos outros.

Jeremias continuou fiel ao seu chamado, mesmo quando o caminho ficou difícil e solitário. E, no momento certo, Deus cuidou dele e garantiu a sua proteção (Jr 39:11-14).

O mesmo aconteceu com Ebede-Meleque. Ele teve coragem de defender Jeremias diante do rei, quando fazê-lo podia colocar a sua própria vida em risco. Enquanto outros foram mortos, Deus prometeu protegê-lo por causa da sua confiança n’Ele (Jr 39:15-18).

Isto deixa-nos uma pergunta importante: e se obedecer a Deus nem sempre significar que tudo vai correr bem?

Às vezes, fazer o que é certo pode trazer incompreensão, solidão ou até sofrimento. Podemos perguntar: “Vale mesmo a pena continuar?”

A história de Jeremias lembra-nos que fidelidade não é desistir quando fica difícil. É continuar a confiar em Deus mesmo quando não vemos resultados imediatos.

O mundo pode chamar-lhe fracasso. Deus pode estar a chamar-lhe fidelidade.

Desafio: há alguma coisa que sabes que Deus te está a pedir, mas que tens adiado porque o caminho parece demasiado difícil? Dá hoje um passo nessa direção.



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