17Tu declaras-te judeu, apoias-te na Lei de Moisés e sentes-te orgulhoso por conheceres a Deus. 18Conheces a vontade de Deus e a lei ensina-te a escolher o que é melhor. 19Consideras-te como um guia de cegos, uma luz para os que andam nas trevas. 20Julgas-te um mestre de ignorantes e um educador de crianças, visto estares na posse do conhecimento e da verdade da lei. 21Ora tu que ensinas os outros, por que não te ensinas a ti mesmo? Tu pregas que não se deve roubar. Por que é que roubas? 22Tu dizes que não se deve praticar adultério. Por que é que o praticas? Tu detestas os falsos deuses. Por que é que te aproveitas daquilo que lhes é oferecido? 23Sentes-te orgulhoso de possuir a lei, mas desprezas a Deus ao fazeres o contrário do que a lei manda. 24Lá diz a Sagrada Escritura: É por vossa causa que os outros povos dizem mal de Deus.
Qual o valor da circuncisão?
25A circuncisão é na verdade proveitosa, se observares a lei; mas se a não observas, é como se não fosses circuncidado. 26Pelo contrário, o que não recebeu a circuncisão, mas cumpre o que manda a lei, esse é como se fosse circuncidado. 27E aquele que não foi circuncidado no seu corpo, mas cumpre a lei, há de julgar-te a ti que a transgrides, apesar de conheceres a lei escrita e de seres circuncidado. 28Não é judeu aquele que o mostra exteriormente, nem é circuncisão aquela que se recebe no corpo. 29O verdadeiro judeu é aquele que o é interiormente, como se fosse circuncidado no coração, isto é uma circuncisão que vem do Espírito e não da lei escrita. Esse tem a aprovação não tanto dos homens mas de Deus.
Muitas vezes é fácil cair na armadilha de pensar que estamos bem com Deus só porque crescemos na igreja, conhecemos versículos de cor ou participamos em atividades cristãs. Foi exatamente esse o erro dos judeus da época de Paulo. Eles confiavam na sua identidade religiosa e nos privilégios que tinham recebido, mas o seu coração estava longe daquilo que Deus realmente desejava.
A verdade é que Deus não se impressiona com rótulos, aparências ou tradições vazias. Não importa há quantos anos és cristão, quantos cargos ocupas na igreja ou quantas vezes lês a Bíblia. O que realmente importa é se a tua vida reflete aquilo que dizes acreditar.
Quando confiamos demasiado em nós próprios, nas nossas capacidades ou até nas nossas conquistas espirituais, o orgulho começa a crescer silenciosamente. E o orgulho tem uma forma perigosa de nos fazer olhar para os outros de cima para baixo, esquecendo-nos de que todos dependemos da mesma graça.
Jesus contou a parábola de um homem rico que acreditava que a sua segurança estava nos bens que tinha acumulado. Pensava que tinha tudo controlado, mas esqueceu-se do mais importante: a sua vida estava nas mãos de Deus. Da mesma forma, também nós podemos colocar a nossa confiança no que temos, no que fazemos ou até no que sabemos, em vez de confiarmos plenamente no Senhor.
A nossa esperança não está naquilo que conquistámos, mas na graça de Deus. Não somos salvos porque somos melhores, mais fortes ou mais espirituais. Somos salvos porque Deus é misericordioso. É essa verdade que nos mantém humildes e nos aproxima verdadeiramente d'Ele.
Desafio: Se hoje Deus olhasse apenas para o teu coração e não para aquilo que mostras aos outros, o que encontraria? Tira alguns minutos para pedires a Deus que revele áreas onde o orgulho possa estar a ocupar o lugar da dependência d'Ele.