16 de junho, 3ª. feira

Escrito em 15/06/2026
União Bíblica


Romanos 4:1-12

1 Então, que havemos de dizer de Abraão, o nosso antepassado?
2 Se Abraão foi aceite por Deus por causa das suas obras, então tem de que se orgulhar. Mas não diante de Deus, pois as Escrituras dizem:
3 Abraão acreditou em Deus e isso foi-lhe contado como justiça.
4 Ora, a quem trabalha, o salário que recebe não é considerado como uma dádiva, mas como uma dívida.
5 Mas, àquele que não confia nas suas próprias obras, mas sim naquele que justifica o pecador, a sua fé é-lhe contada como justiça.

6 É por isso que David também fala da felicidade do homem a quem Deus considera justo, independentemente das obras:
7 Felizes aqueles a quem Deus perdoou as faltas e a quem apagou os pecados!
8 Feliz aquele a quem o Senhor não leva em conta os seus pecados!

9 Será que esta felicidade é apenas para os que são circuncidados, ou também para os que não o são? Nós afirmamos que a fé de Abraão lhe foi creditada como justiça.
10 Mas quando é que isso aconteceu? Foi depois da circuncisão ou antes? Foi antes, e não depois!
11 A circuncisão veio mais tarde, como sinal e selo da justiça que ele já tinha alcançado por meio da fé, enquanto ainda era incircunciso. Desta maneira, Abraão tornou-se o pai espiritual de todos os que acreditam em Deus sem serem circuncidados, para que também a eles a fé lhes seja contada como justiça.
12 E ele é também o pai dos circuncidados, daqueles que não apenas o são fisicamente, mas que seguem o mesmo caminho de fé que o nosso pai Abraão teve antes de ser circuncidado.

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Comentário:

Salvos pela Fé

Paulo continua em Romanos 4 um dos temas mais importantes da carta: a salvação não é conquistada pelas obras, mas recebida pela fé.

Para provar isso, ele recorre a dois dos maiores nomes da história de Israel: Abraão e David. Se alguém pudesse dizer que tinha mérito suficiente para ser aceite por Deus, seriam eles. No entanto, as Escrituras mostram exatamente o contrário.

Abraão foi considerado justo porque acreditou em Deus. Antes da circuncisão, antes das obras, antes de qualquer ritual religioso, ele simplesmente confiou na promessa divina. Foi a sua fé que o aproximou de Deus. Por isso, Abraão tornou-se o pai espiritual de todos aqueles que creem, independentemente da sua origem.

David reforça esta verdade quando descreve a felicidade daqueles cujos pecados são perdoados. A sua alegria não estava nas suas conquistas pessoais, mas na graça de Deus que escolhe perdoar e restaurar.

A mensagem é clara: ninguém consegue "comprar" ou "merecer" a salvação através das suas boas ações. Por melhores que sejam as nossas obras, elas nunca serão suficientes para apagar o pecado ou garantir um lugar junto de Deus. A salvação é um presente oferecido por meio de Jesus Cristo.

Muitas vezes vivemos como se tivéssemos de provar constantemente o nosso valor a Deus. Tentamos ser suficientemente bons, suficientemente espirituais ou suficientemente corretos. Mas o Evangelho lembra-nos que Deus não nos ama por causa do que fazemos; Ele ama-nos porque escolheu demonstrar a Sua graça através de Cristo.

As boas obras têm, sim, o seu lugar. Mas não são a causa da salvação; são a consequência dela. Primeiro Deus salva, depois transforma. Primeiro recebemos a graça, depois vivemos para a refletir.

Efésios 2:10 diz que fomos criados em Cristo Jesus para realizar as boas obras que Deus já preparou para nós. Não trabalhamos para ser salvos; trabalhamos porque fomos salvos.

Quando compreendemos isto, a vida cristã deixa de ser uma tentativa cansativa de ganhar a aprovação de Deus e passa a ser uma resposta de gratidão ao amor que já recebemos.

Para pensar... Se a tua salvação não depende das tuas obras, mas da tua fé em Jesus, será que as boas ações que fazes nascem da gratidão a Deus ou da tentativa de ganhar a Sua aprovação?

Curiosidade Bíblica: Abraão foi declarado justo em Génesis 15, mas a circuncisão só aconteceu vários anos depois, em Génesis 17. Deus quis deixar claro que a relação com Ele começa pela fé e não pelos rituais.



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