9David saiu também atrás de Saul e gritou-lhe: «Ó rei, meu senhor!» Saul olhou para trás e David, inclinando-se até ao chão, em sinal de respeito, 10disse-lhe: «Por que é que o meu senhor presta atenção a quem lhe anda a dizer que David lhe quer fazer mal? 11O meu senhor pode reconhecer agora mesmo, que o Senhor o pôs ao alcance das minhas mãos, na gruta. Pediram-me para o matar, mas tive compaixão. Eu nunca levantarei a minha mão contra o meu rei, pois é meu senhor, o escolhido do Senhor. 12Veja bem, meu senhor, como eu tenho um pedaço de pano da sua capa. Cortei-o, mas não quis matar o rei. Fique, pois, a saber que não há em mim nem maldade nem revolta contra o rei. Nunca pequei contra o meu senhor. O rei é que tenciona tirar-me a vida. 13Que o Senhor julgue entre nós dois e me defenda. Quanto a mim, nunca levantarei a minha mão contra o rei. 14Como diz o antigo ditado popular, “o mal vem dos maus”; por isso nunca levantarei a mão contra o meu rei. 15Atrás de quem é que saiu o rei de Israel a combater? A quem é que ele persegue? A mim, que sou como um cão morto ou como uma pulga?! 16Por isso, que o Senhor decida e julgue entre nós os dois. Que ele examine a minha causa e me defenda das tuas mãos.»
17Logo que David acabou de falar, Saul exclamou: «És realmente tu, David, meu filho, quem me falas?» Saul começou a chorar 18e disse-lhe: «De facto tu és mais justo do que eu, pois fizeste-me bem em troca do mal que te fiz. 19Provaste hoje a tua bondade para comigo, pois o Senhor colocou-me nas tuas mãos e não me mataste. 20Não há ninguém que, ao encontrar o seu inimigo, o deixe ir são e salvo. Que o Senhor te recompense pelo que me fizeste hoje. 21Agora compreendo que tu serás o rei, e que o reino de Israel há de ser glorioso contigo. 22Jura-me, pois, pelo Senhor, que não acabarás o meu nome, que não exterminarás a minha descendência.»
23David jurou a Saul que assim faria. Este regressou a sua casa, e David e os seus homens foram para o seu refúgio.
David foi bem além de ter misericórdia de Saul: David inclinou-se perante ele, provou o seu respeito e bondade e dispôs-se a ser julgado por Deus. Tudo isto diante de quem o queria matar. A reação de Saul? Trata-o por filho e chora. Compreende a sua maldade e a bondade de David. Engrandece David por poupar o inimigo, vislumbra David como rei de Israel e pede misericórdia. Nem sempre as reações de quem é perdoado são similares às de Saul, mas o bem prevalece sempre sobre o mal. Responder com mal ao mal só perpetua um ciclo destruidor.
Pensa em alguém que tenha agido mal contigo: Sê agente de perdão e amor! Se estiver difícil, lembra-te: Jesus é a tua fonte!